No mês de Maio celebramos o mês Mariano e também o dia das mães, pensando nisto optamos para no mês de maio refletirmos sobre Maria, nossa mãe, modelo de perseverança, caridade, união com Cristo, fidelidade e fé.
Maria
ao pronunciar o seu “sim” generoso nos trouxe o Salvador. Alguns autores falam
que naquele momento sublime do “sim” toda a Criação fez silêncio e ficou parada
ansiosamente esperando a resposta de Maria.
Ela
é a Virgem fiel, que respondeu ao Plano de Deus em todas as circunstâncias de
sua vida. Podemos dizer que aquele “sim” de Maria foi repetido em todo o
momento, nos momentos de alegria, mas também nos dolorosos.
Maria
tinha sido educada pela pedagogia divina. Ela tinha o hábito de meditar e
conservar as coisas em seu coração (ver Lc 2,19.51). Ela conhecia a Escritura,
confiava no Evangelho anunciado pelo seu Filho e sabia que a Cruz era o único
caminho para a reconciliação da humanidade. Durante a sua vida Ela foi se
preparando para esse momento em que a espada atravessaria o seu coração.
A
dor de Maria foi aumentando durante toda a sua vida, que Ela sofreu o martírio
junto com o seu Filho.
A
fecundidade do amor e o sofrimento de Maria são vividos de forma intensa na
Paixão do seu Filho. Desde o seu lugar ao pé da Cruz, Maria se compadece com o
seu Filho. Imagina o sofrimento que deve ter passado? São Boaventura diz que
Maria estava sendo crucificada junto com Cristo.
E
qual é a atitude de Maria diante da dor? Ela permanece de pé! Ela sabia que
todo aquele sofrimento de seu Filho traria a redenção do mundo. Podemos dizer
que no coração da Virgem havia dor e alegria ao mesmo tempo. Alegria porque Ela
tinha certeza de que o seu Filho ressuscitaria como havia prometido e também
porque aquele sacrifício permitiria que Ela visse em todos nós o rosto de seu
Filho amado.
Maria como modelo de
Fé:
Em
que sentido Maria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem
era a Virgem Maria: uma moça judia, que esperava com todo o coração a redenção
do seu povo. Mas naquele coração de jovem filha de Israel havia um segredo que
ela mesma ainda não conhecia: no desígnio do amor de Deus estava destinada a
tornar-se a Mãe do Redentor.
Na
Anunciação, o Mensageiro de Deus chama-a “cheia de graça” e lhe revela este
projeto. Maria responde “sim” e daquele momento a fé de Maria recebe uma luz
nova: concentra-se em Jesus, o Filho de Deus que dela se fez carne e no qual se
cumprem as promessas de toda a história da salvação. A fé de Maria é o
cumprimento da fé de Israel, nela está justamente concentrado todo o caminho,
toda a estrada daquele povo que esperava a redenção, neste sentido é o modelo
da fé da Igreja que tem como centro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus.
Como
Maria viveu esta fé? Viveu na simplicidade das mil ocupações e preocupações
cotidianas de toda mãe, como fornecer o alimento, a vestimenta, cuidar da casa…
Justamente esta existência normal de Maria foi terreno onde se desenvolveu uma
relação singular e um diálogo profundo entre ela e Deus, entre ela e o seu
Filho.
O
“sim” de Maria, já perfeito desde o início, cresceu até o momento da Cruz. Ali
a sua maternidade se espalhou abraçando cada um de nós, a nossa vida, para nos
guiar ao seu Filho. Maria viveu sempre imersa no mistério de Deus feito homem,
como sua primeira e perfeita discípula, meditando cada coisa no seu coração à
luz do Espírito Santo, para compreender e colocar em prática toda a vontade de
Deus.
Podemos
fazer-nos uma pergunta: deixamo-nos iluminar pela fé de Maria, que é nossa Mãe?
Ou a pensamos distante, muito diferente de nós? Nos momentos de dificuldade, de
provação, de escuridão, olhamos para ela como modelo de confiança em Deus, que
quer sempre e somente o nosso bem? Pensemos nisso, talvez nos fará bem
encontrar Maria como modelo e figura da Igreja nesta fé que ela tinha!
Maria como Modelo de
Caridade:
De
que modo Maria é para a Igreja exemplo vivo de amor? Pensemos em sua
disponibilidade para com a prima Isabel. Visitando-a, a Virgem Maria não lhe
levou somente uma ajuda material, também isto, mas levou Jesus, que já vivia em
seu ventre. Levar Jesus àquela casa queria dizer levar a alegria, a alegria
plena. Isabel e Zacarias estavam felizes pela gravidez que parecia impossível
em sua idade, mas é a jovem Maria que leva a eles a alegria plena, aquela que
vem de Jesus e do Espírito Santo e se exprime na caridade gratuita, no
partilhar, no ajudar, no compreender.
Nossa
Senhora quer trazer também a nós o grande presente que é Jesus e com Ele nos
traz o seu amor, a sua paz, a sua alegria. Assim é a Igreja, é como Maria: a
Igreja não é um negócio, não é uma agência humanitária, a Igreja não é uma ONG,
a Igreja é enviada a levar Cristo e o seu Evangelho a todos; não leva a si
mesma – se pequena, se grande, se forte, se frágil, a Igreja leva Jesus e deve
ser como Maria quando foi visitar Isabel. O que levava Maria? Jesus. A Igreja
leva Jesus: este é o centro da Igreja, levar Jesus! Se por hipótese, uma vez
acontecesse que a Igreja não levasse Jesus, aquela seria uma Igreja morta! A
Igreja deve levar a caridade de Jesus, o amor de Deus, a caridade de Jesus.
Falamos
de Maria, de Jesus. E nós? Nós que somos a Igreja? Qual é o amor que levamos
aos outros? É o amor de Jesus, que partilha, que perdoa, que acompanha, ou é um
amor aguado, como se diluísse o vinho com água? É um amor forte ou frágil,
tanto que segue as simpatias, que procura um retorno, um amor interessado?
Outra pergunta: Jesus gosta do amor interessado? Não, não gosta, porque o amor
deve ser gratuito, como o seu. Como são as relações nas nossas paróquias, nas
nossas comunidades? Nós nos tratamos como irmãos e irmãs? Ou nos julgamos,
falamos mal uns dos outros, cuidamos de cada um como o próprio jardim, ou
cuidamos uns dos outros? São perguntas de caridade!
Maria modelo de União
com Cristo:
A
vida da Virgem Maria foi a vida de uma mulher do seu povo: Maria rezava,
trabalhava, ia à sinagoga… Mas cada ação era cumprida sempre em união perfeita
com Jesus. Esta união alcança o ponto alto no Calvário: aqui Maria se une ao
Filho no martírio do coração e na oferta da vida ao Pai pela salvação da
humanidade. Nossa Senhora fez sua a dor do Filho e aceitou com Ele a vontade do
Pai, naquela obediência que dá frutos, que dá a verdadeira vitória sobre o mal
e sobre a morte.
É
muito bonita esta realidade que Maria nos ensina: ser sempre mais unidos a
Jesus. Podemos perguntar-nos: nós nos lembramos de Jesus somente quando algo
não vai bem e temos necessidade ou a nossa relação é constante, uma amizade
profunda, mesmo quando se trata de segui-Lo no caminho da cruz?
Peçamos
ao Senhor que nos doe a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na
vida de cada comunidade eclesial reflita-se o modelo de Maria, Mãe da Igreja.
Assim seja!
O premio da fidelidade:
ser nossa Mãe.
Nada
mais justo do que premiar à Mãe com aquilo que Jesus considerava mais precioso:
nós. A fidelidade é premiada no Altar da Redenção: “Mulher, eis aí o teu
filho... Filho eis aí tua Mãe” (cf. Jo, 19, 25-27).
Jesus
quis nos deixar uma Mãe, para que nos educasse e guiasse pelos caminhos do seu
Pai e do seu Evangelho da Vida.


